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Empréstimo Consignado Não Reconhecido Gera Indenização? Entenda os Direitos do Consumidor

  • Foto do escritor: Rezende Segundo
    Rezende Segundo
  • 29 de mai.
  • 4 min de leitura

Descobrir descontos mensais no benefício do INSS ou na folha de pagamento referentes a um empréstimo que nunca foi contratado é uma situação que causa preocupação, insegurança financeira e, muitas vezes, sérios prejuízos ao consumidor.

Esse problema tem se tornado cada vez mais comum, especialmente entre aposentados, pensionistas e servidores públicos, que frequentemente são alvo de fraudes envolvendo contratos bancários, assinaturas eletrônicas irregulares e utilização indevida de dados pessoais.

Diante dessa situação, uma dúvida surge com frequência: o empréstimo consignado não reconhecido pode gerar indenização?

Em muitos casos, a resposta é sim.




O que é um empréstimo consignado indevido?

O empréstimo consignado é uma modalidade de crédito em que as parcelas são descontadas diretamente do benefício previdenciário ou da remuneração do contratante.

Por possuir menor risco de inadimplência para as instituições financeiras, essa modalidade costuma oferecer taxas de juros mais baixas.

O problema surge quando o consumidor identifica descontos referentes a contratos que jamais autorizou, desconhece ou não possui qualquer relação.

Nessas hipóteses, pode haver fraude, falha na contratação ou irregularidade na formalização do negócio jurídico.


Como ocorrem as fraudes em empréstimos consignados?

As fraudes podem acontecer de diversas formas.

Em alguns casos, criminosos utilizam documentos falsificados para contratar empréstimos em nome de terceiros.

Em outras situações, instituições financeiras realizam contratações sem observar adequadamente os mecanismos de identificação e validação da vontade do consumidor.

Também são comuns situações envolvendo idosos que acreditam estar realizando outro procedimento e acabam tendo empréstimos formalizados sem pleno conhecimento das condições contratadas.

Independentemente da forma como ocorreu a irregularidade, o consumidor não pode ser responsabilizado por uma dívida que não contratou.




O banco é responsável pela fraude?

As instituições financeiras possuem o dever de adotar mecanismos eficazes de segurança para evitar fraudes e garantir a regularidade das contratações realizadas.

Por esse motivo, os tribunais brasileiros têm reconhecido que os bancos respondem pelos prejuízos causados aos consumidores quando não conseguem demonstrar a legitimidade da contratação ou quando há falhas nos procedimentos de segurança.

O entendimento predominante considera que os riscos inerentes à atividade bancária devem ser suportados pela própria instituição financeira e não pelo consumidor.


O Código de Defesa do Consumidor se aplica?

Sim.

As instituições financeiras estão submetidas às normas do Código de Defesa do Consumidor.

O artigo 14 do CDC prevê a responsabilidade objetiva dos fornecedores pelos danos causados em razão de defeitos na prestação dos serviços.

Isso significa que, em determinadas situações, não é necessário comprovar culpa do banco, bastando demonstrar a existência do dano e a relação entre o prejuízo sofrido e a atividade desenvolvida pela instituição financeira.




Quais são os prejuízos mais comuns?

Os descontos indevidos podem comprometer significativamente a renda mensal do consumidor.

Muitos aposentados dependem exclusivamente do benefício previdenciário para custear despesas básicas como alimentação, medicamentos, moradia e tratamento médico.

Quando parcelas indevidas são descontadas todos os meses, o impacto financeiro pode ser considerável.

Além disso, a situação costuma gerar angústia, insegurança e desgaste emocional, especialmente quando o consumidor enfrenta dificuldades para solucionar o problema administrativamente.



Existe direito à devolução dos valores descontados?

Quando a contratação é considerada irregular ou inexistente, o consumidor pode buscar a restituição dos valores indevidamente descontados.

Dependendo das circunstâncias do caso concreto e da análise judicial realizada, a devolução pode ocorrer em conformidade com as regras previstas no Código de Defesa do Consumidor.

A forma de restituição dependerá da avaliação específica da situação e das provas produzidas no processo.





Empréstimo consignado indevido gera danos morais?

Em diversas situações, os tribunais têm reconhecido que a realização de empréstimos não autorizados ultrapassa o mero aborrecimento cotidiano.

A redução indevida da renda mensal, a insegurança financeira, o comprometimento do orçamento familiar e os transtornos decorrentes da fraude podem caracterizar danos passíveis de reparação.

Contudo, a análise depende das particularidades de cada caso, sendo necessária a avaliação dos prejuízos efetivamente sofridos pelo consumidor.


Como descobrir se existe um empréstimo consignado fraudulento?

Muitos consumidores só percebem a existência da fraude ao verificar o extrato do INSS, o contracheque ou os lançamentos bancários.

Por isso, é importante acompanhar regularmente os descontos realizados em benefícios previdenciários e remunerações.

A identificação precoce do problema pode facilitar a adoção das medidas necessárias para minimizar os prejuízos.


Quais documentos podem ser importantes?

A documentação necessária varia conforme a situação, mas geralmente podem ser relevantes:

  • Extratos de pagamento do INSS;

  • Contracheques;

  • Demonstrativos de consignação;

  • Extratos bancários;

  • Protocolos de atendimento;

  • Comunicações enviadas ao banco;

  • Boletim de ocorrência, quando cabível;

  • Documentos pessoais.

A análise desses elementos costuma ser fundamental para verificar a existência de irregularidades.




O que fazer ao identificar descontos indevidos?

Ao perceber a existência de um empréstimo não reconhecido, é importante registrar formalmente a contestação junto à instituição financeira e reunir toda a documentação relacionada ao caso.

Também é recomendável guardar comprovantes, protocolos e demais registros das tentativas de solução administrativa.

Esses documentos podem ser relevantes para eventual discussão judicial.


O entendimento da Justiça sobre empréstimos consignados fraudulentos

Os tribunais brasileiros possuem vasta jurisprudência reconhecendo a responsabilidade das instituições financeiras em casos de empréstimos realizados sem autorização válida do consumidor.

A exigência de mecanismos eficazes de segurança e de comprovação da contratação legítima constitui obrigação inerente à atividade bancária.

Quando essa obrigação não é observada, pode surgir o dever de reparar os prejuízos causados.




Conclusão

O empréstimo consignado não reconhecido é um problema que afeta milhares de consumidores todos os anos, especialmente aposentados e pensionistas.

A legislação brasileira oferece mecanismos de proteção contra descontos indevidos e fraudes bancárias, possibilitando a análise da responsabilidade da instituição financeira e dos prejuízos eventualmente sofridos.

Cada situação deve ser examinada individualmente, considerando a documentação disponível e as circunstâncias específicas do caso.

Para conhecer mais direitos relacionados a fraudes bancárias e relações de consumo, consulte também nosso conteúdo sobre Direito do Consumidor em Conselheiro Lafaiete e PIX fraudado.



Sobre a autora

Ariane Rezende é advogada em Conselheiro Lafaiete/MG, com atuação voltada ao Direito do Consumidor, Direito Bancário e Responsabilidade Civil, atuando em demandas relacionadas a fraudes bancárias, golpes do PIX, empréstimos consignados indevidos, negativação indevida, cobranças abusivas e outras violações aos direitos dos consumidores.

A análise jurídica deve considerar as particularidades de cada caso concreto.

 
 
 

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